{"id":11352,"date":"2014-11-03T13:00:04","date_gmt":"2014-11-03T17:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11352"},"modified":"2014-11-17T11:26:35","modified_gmt":"2014-11-17T15:26:35","slug":"fiz-tudo-que-pude-fazer-em-2-anos-na-presidencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11352","title":{"rendered":"\u201cFiz tudo que pude fazer em 2 anos na presid\u00eancia\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\n\t<em>Com quase 30 anos de servi&ccedil;os prestados ao Tribunal de Contas do Estado Amazonas, o conselheiro &Eacute;rico Desterro, 50 anos, ingressou no TCE em 1985. Antes de integrar o colegiado da corte de Contas no ano de 2005, na vaga destinada ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico junto ao TCE, exerceu dezenas de fun&ccedil;&otilde;es no Tribunal, entre elas a de assistente t&eacute;cnico, inspetor de controle externo, auditor assistente, chefe de gabinete da presid&ecirc;ncia e procurador. Nesta entrevista, al&eacute;m de falar de sua gest&atilde;o &agrave; frente do TCE (bi&ecirc;nio 2012-2013), dos avan&ccedil;os conquistados e ainda agradecer aos servidores pelo trabalho desenvolvido, o professor universit&aacute;rio &Eacute;rico fala da t&iacute;mida aplica&ccedil;&atilde;o da Lei de Ficha Limpa, do que poderia ser feito para melhorar a atua&ccedil;&atilde;o do TCE e ainda aconselha gestores p&uacute;blicos a investirem na capacita&ccedil;&atilde;o dos servidores de carreira. Leia os principais trechos da entrevista concedida ao Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/Dentro 1.JPG\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/Dentro 1.JPG\" style=\"width: 250px;height: 140px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/Dentro 2.JPG\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/Dentro 2.JPG\" style=\"width: 250px;height: 140px\" \/><\/a>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; O senhor &eacute; servidor de carreira do TCE e est&aacute; por aqui h&aacute; mais de 25 anos. Tem no&ccedil;&atilde;o de quais fun&ccedil;&otilde;es n&atilde;o exerceu na corte?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>&Eacute;rico Desterro &mdash;<\/strong> Estou aqui h&aacute; quase 30 anos. Em abril de 2015, eu vou completar 30 anos no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. Quais cargos n&atilde;o exerci? Realmente foram poucas as fun&ccedil;&otilde;es. Eu entrei no TCE no cargo de n&iacute;vel m&eacute;dio, era estudante da faculdade de direito. Fui chefe de gabinete da presid&ecirc;ncia, assessor jur&iacute;dico da presid&ecirc;ncia, secret&aacute;rio-geral e depois passei no concurso do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Contas. Fui o primeiro procurador concursado do Tribunal de Contas, embora eu tenha entrado na mesma data que os procuradores Fernanda (Mendon&ccedil;a) e Evanildo (Santana), mas, como eu fui em primeiro lugar do certame, considero-me o primeiro procurador concursado da Corte. Depois, na vaga aberta pela aposentadoria do conselheiro Jo&atilde;o Braga, eu cheguei ao Tribunal Pleno (em abril de 2005) na vaga destinada aos membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico junto ao Tribunal. N&atilde;o fui secret&aacute;rio-geral de controle externo porque salvo engano, n&atilde;o havia esse cargo, ele veio a existir depois de 1996, com a nova lei org&acirc;nica. Fui secret&aacute;rio-geral do Tribunal. Na &eacute;poca, dentro do controle externo haviam sete auditorias. O funcionamento do controle externo funcionava era de maneira diferente.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash; O senhor sempre se colocou contra as cr&iacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o a composi&ccedil;&atilde;o do pleno e as escolhas. Por que?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash; <\/strong>Eu acho que &eacute; a composi&ccedil;&atilde;o correta, porque segue o que determina a lei. Primeiro que quem, majoritariamente, indica os membros para o Tribunal de Contas &eacute; a Assembleia Legislativa, no caso do Estado. &Eacute; o Poder Legislativo que, por defini&ccedil;&atilde;o, &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o da sociedade. Ent&atilde;o, a indica&ccedil;&atilde;o do Legislativo, na minha opini&atilde;o, deve ser levada a s&eacute;rio. Alguns criticam que as indica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o pol&iacute;ticas, n&atilde;o &eacute;? Ou ainda que seria melhor que o Tribunal tivesse uma composi&ccedil;&atilde;o mais t&eacute;cnica. Eu quero dizer que, hoje em dia, eu acho tamb&eacute;m. N&atilde;o sou contra as indica&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter pol&iacute;tico, como se diz, mas hoje eu defendo &mdash; e sempre defendi &mdash;, que, talvez, a composi&ccedil;&atilde;o devesse ser mais t&eacute;cnica. Na minha opini&atilde;o entendo que deveria haver, entre as vagas de conselheiro, uma destinada ao corpo t&eacute;cnico do Tribunal, assim como h&aacute; uma vaga para os auditores, uma para membros do MPC. Penso que deveria haver uma vaga destinada aos servidores do Tribunal. Temos um &oacute;timo quadro.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;O senhor &eacute; muito ligado &agrave; quest&atilde;o dos n&uacute;meros, da produtividade. Qual a m&eacute;dia de processos que julga por m&ecirc;s? E no ano?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash; <\/strong>Por ano, eu n&atilde;o posso dizer porque eu retornei da presid&ecirc;ncia em janeiro deste ano, portanto ainda nem cumpri um ano depois disso. N&atilde;o posso dar um n&uacute;mero relacionado ao ano por enquanto, mas eu tenho apreciado mensalmente uma m&eacute;dia entre 240 a 250 processos, mas o que &eacute; mais importante e o que diz respeito direto ao meu gabinete: eu tenho deixado menos de 20 processos todos os meses. N&atilde;o h&aacute; um &uacute;nico m&ecirc;s, nesses que j&aacute; passaram, que eu tenha deixado mais de 20 processos para o outro m&ecirc;s. Em setembro passado, por exemplo, eu deixei oito processos pendentes para o m&ecirc;s seguinte.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;&Eacute; dif&iacute;cil presidir o TCE?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> &Eacute; dif&iacute;cil presidir qualquer &oacute;rg&atilde;o da import&acirc;ncia do Tribunal de Contas, da relev&acirc;ncia sobre o ponto de vista do seu or&ccedil;amento, da sua atua&ccedil;&atilde;o. Portanto, eu acho e entendo que &eacute; dif&iacute;cil, sim, presidir o&nbsp;TCE, diria que &eacute; desafiador. H&aacute; a necessidade de voc&ecirc; ter um pouco de equil&iacute;brio ao adotar as decis&otilde;es, que v&atilde;o definir o funcionamento do &oacute;rg&atilde;o tamb&eacute;m do per&iacute;odo em que voc&ecirc; n&atilde;o vai estar mais na presid&ecirc;ncia. Presidir tamb&eacute;m para os anos seguintes. Isso porque muitas coisas que aconteceram no seu mandato, evidentemente, aconteceram porque j&aacute; havia decis&otilde;es anteriores, acertadas. N&oacute;s precisamos fazer na presid&ecirc;ncia &eacute; corrigir, eventualmente, aquilo o que n&atilde;o est&aacute; adequado &agrave; finalidade do &oacute;rg&atilde;o e tamb&eacute;m incentivar aquelas pr&aacute;ticas que melhoram a corte, que colocam o Tribunal em uma situa&ccedil;&atilde;o de prest&iacute;gio na sociedade. Digo isso porque todo &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico precisa do reconhecimento da sociedade de que ele vale a pena existir, de que ele produz os resultados que a sociedade deseja. Nesse &uacute;ltimo aspecto, eu repito que dirigir o Tribunal, mais do que dif&iacute;cil, &eacute; desafiador. Entendi isso durante os 2 anos em que administrei a corte (2012-2013).\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash; O que falta para a institui&ccedil;&atilde;o ganhar mais for&ccedil;a?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> Eu acho que a valoriza&ccedil;&atilde;o do servidor &eacute; um passo importante. Eu disse, ao fim da minha administra&ccedil;&atilde;o, que havia um novo desafio que era o de consolidar o quadro de servidores do Tribunal. Consolidar em que sentido? Tornar o nosso quadro mais profissionalizado, abrir concurso nas &aacute;reas que n&oacute;s ainda temos defici&ecirc;ncia. Eu entendo, por exemplo, que ainda temos defici&ecirc;ncia na &aacute;rea de inform&aacute;tica. Esse &eacute; um setor, hoje em dia, para as organiza&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas, um setor vital. Por meio do dom&iacute;nio da tecnologia, conseguimos dar pulos de produtividade, ganhos consider&aacute;veis de qualidade. Na pr&oacute;xima semana, o Tribunal de Contas ir&aacute; receber um pr&ecirc;mio de qualidade (O TCE vai receber o Pr&ecirc;mio Qualidade Amazonas na categoria processo) exatamente focado nisto. A conjuga&ccedil;&atilde;o de dois fatores (o uso da tecnologia adequada e de algumas medidas de corre&ccedil;&atilde;o da forma de se atuar no tribunal) nos possibilitou que n&oacute;s f&ocirc;ssemos agraciados com um pr&ecirc;mio no nosso segmento, o maior deles, reconhecendo que o Tribunal, no bi&ecirc;nio 2012&mdash;2013, avan&ccedil;ou consideravelmente no que diz respeito a qualidade das suas atividades, sobretudo no que diz respeito a resultados mais r&aacute;pidos, a celeridade da nossa atua&ccedil;&atilde;o. Nesse bi&ecirc;nio conseguimos algo que nunca havia acontecido no Tribunal: reduzimos o estoque de processos pela metade. &Eacute; um desafio constante de toda a organiza&ccedil;&atilde;o: atuar de forma r&aacute;pida e com qualidade.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash; A Lei da Ficha Limpa deu uma visibilidade maior ao Tribunal de Contas, porque considerou que suas decis&otilde;es serviam como item para considerar o pol&iacute;tico ficha-suja. O senhor acha que falta o qu&ecirc; para fortalecer ainda mais a corte?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> Sim, certeza absoluta. Primeiro porque a Lei da Ficha Limpa ainda est&aacute; por ser aplicada adequadamente. As leituras que est&atilde;o sendo feitas me parecem acanhadas, t&iacute;midas, n&atilde;o me parecem atender ao esp&iacute;rito dessa norma, que &eacute; afastar mesmo, para valer, da vida p&uacute;blica, aquelas pessoas que demonstraram n&atilde;o ter capacidade para estar na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, quer por incompet&ecirc;ncia, quer por malversa&ccedil;&atilde;o de recursos. Ent&atilde;o, eu entendo que a Lei da Ficha Limpa ainda est&aacute; por ser completamente aplicada. Houve uma maior visibilidade dos Tribunais de Contas por causa da lei, sim, por&eacute;m, h&aacute; muitas outras coisas que o ordenamento jur&iacute;dico poderia conceder ao Tribunal de Contas, utilizar a estrutura que o Tribunal e seu corpo t&eacute;cnico qualificado t&ecirc;m. Por exemplo: o&nbsp;TCE&nbsp;n&atilde;o tem a possibilidade de quebrar o sigilo fiscal e banc&aacute;rio dos agentes p&uacute;blicos. O&nbsp;TCE&nbsp;precisa muito do Poder Judici&aacute;rio para dar andamento &agrave;s suas investiga&ccedil;&otilde;es. A pr&oacute;pria execu&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es do Tribunal n&atilde;o pertence a ele, h&aacute; dificuldades. Hoje, o sistema de execu&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es do Tribunal de Contas &eacute; um sistema muito ligado aos pr&oacute;prios gestores, que est&atilde;o sendo analisados pelo &oacute;rg&atilde;o, ent&atilde;o fica muito dif&iacute;cil as coisas acontecerem de forma mais r&aacute;pida e efetiva. A sociedade sente isso, embora n&atilde;o identifique as causas, e h&aacute; sempre aquela solu&ccedil;&atilde;o simplista de colocar a culpa no TCE: &ldquo;Ah, &eacute; porque este &oacute;rg&atilde;o n&atilde;o funciona&rdquo;. N&oacute;s precisamos de mecanismos para que o Tribunal de Contas efetivamente consiga alcan&ccedil;ar o que a Constitui&ccedil;&atilde;o reservou para ele como compet&ecirc;ncia. Isso passa, evidentemente, por modifica&ccedil;&otilde;es legislativa, revis&atilde;o de alguns procedimentos que devem ser adotados.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;H&aacute; uma discuss&atilde;o entre aplica&ccedil;&otilde;es de multas altas e multas baixas aos gestores&#8230;<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong>&nbsp;A fixa&ccedil;&atilde;o da san&ccedil;&atilde;o deve ser feita com proporcionalidade. Mas, quanto aos valores desviados ou que o Tribunal considerou n&atilde;o comprovados, n&atilde;o h&aacute; o que transigir. Se houve a identifica&ccedil;&atilde;o de que um certo valor, ainda que muito alto, a sua aplica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; devidamente comprovada, n&atilde;o cabe ao Tribunal apenas glosar 10% ou metade, ele tem de glosar e determinar de todo o valor que considerou que n&atilde;o foi devidamente comprovado. Ent&atilde;o &eacute; uma discuss&atilde;o que precisa, quanto &agrave;s san&ccedil;&otilde;es, sim, precisamos ter razoabilidade, propor&ccedil;&atilde;o, at&eacute; para viabilizar, de fato, o cumprimento das nossas decis&otilde;es.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash; Sua gest&atilde;o &agrave; frente da presid&ecirc;ncia (bi&ecirc;nio 2012-2013) foi marcada, entre outras coisas, pela transpar&ecirc;ncia e pela abertura &agrave; imprensa. O senhor acha que isso prejudicou alguma coisa?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong>&nbsp;Em nada, eu acho que foi fundamental. Acho que o&nbsp;TCE&nbsp;elevou seu conceito junto &agrave; sociedade. Claro que ainda h&aacute; incompreens&otilde;es, problemas, e h&aacute; raz&otilde;es, &agrave;s vezes, para cr&iacute;ticas sobre a atua&ccedil;&atilde;o do tribunal, mas acho que a melhor maneira de tornarmos o Tribunal um &oacute;rg&atilde;o mais eficiente &eacute; fazendo essa aproxima&ccedil;&atilde;o com a sociedade, por meios de comunica&ccedil;&atilde;o, com a sociedade civil organizada, viabilizando com que a sociedade conhe&ccedil;a o Tribunal de Contas e uma vez conhecendo possa, efetivamente, fazer cr&iacute;ticas pertinentes, mas sempre no sentido de melhorar a corte. &Eacute; importante a sociedade saber o que o TCE est&aacute; fazendo, por isso tentamos ser o mais transparentes poss&iacute;vel.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash; Qual o legado de sua administra&ccedil;&atilde;o na presid&ecirc;ncia?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> Acho que fortaleci o Controle Externo. Entendo que n&oacute;s criamos mecanismos para o melhor funcionamento do Tribunal e &eacute; esse, no meu modo de ver, o objetivo principal de qualquer presid&ecirc;ncia, n&atilde;o s&oacute; da minha, mas de todas. Porque n&oacute;s n&atilde;o somos Secretaria de Obras, n&atilde;o somos Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o e nem de Meio Ambiente, somos o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas e a sociedade espera de n&oacute;s &eacute; que cumpramos com as nossas compet&ecirc;ncias constitucionais, que &eacute; de fazer o controle. O legado de toda a presid&ecirc;ncia deve ser o seguinte: entregar um Tribunal cada vez mais eficiente e comprometido com a fiscaliza&ccedil;&atilde;o correta e atual da coisa p&uacute;blica.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;Acha que poderia ter feito mais?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> Fiz o que conseguiria fazer em 2 anos. Como eu disse, o Tribunal n&atilde;o &eacute; uma Secretaria de Obras, n&oacute;s nem temos estrutura para ficar fazendo obras, mas fizemos apenas aquelas obras necess&aacute;rias para melhorar nossa atua&ccedil;&atilde;o. A biblioteca, remodelamos o nosso pr&eacute;dio mais antigo para receber novos servidores aprovados em concurso e tivemos um acr&eacute;scimo, por exemplo, dos estagi&aacute;rios. E tamb&eacute;m aquelas obras que ningu&eacute;m d&aacute; muita import&acirc;ncia, mas que s&atilde;o extremamente importantes: as relacionadas &agrave; seguran&ccedil;a do pr&eacute;dio. N&oacute;s investimos grandemente em obras para o combate de sinistros. Os nossos pr&eacute;dios, antes da minha presid&ecirc;ncia, n&atilde;o passariam certamente numa inspe&ccedil;&atilde;o do Corpo de Bombeiros e hoje est&atilde;o devidamente equipados para isso.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;O senhor teria tempo para se aposentar, mas, em contrapartida, tem pelo menos 19 anos para chegar aos 70 anos. Pretende ficar mais tempo prestando servi&ccedil;o ao TCE?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> N&atilde;o tenho a m&iacute;nima ideia, vai depender de muitas coisas. De como o tribunal estar&aacute; daqui a alguns anos, por exemplo.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;Como coordenador-geral da Escola de Contas P&uacute;blicas, o senhor tem reclamado da participa&ccedil;&atilde;o dos gestores nos cursos oferecidos. O que est&aacute; faltando?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> Interesse, acho eu. N&oacute;s fazemos divulga&ccedil;&otilde;es e elaboramos uma programa&ccedil;&atilde;o de curso baseada nas pr&oacute;prias demandas dos jurisdicionados. H&aacute; exce&ccedil;&otilde;es, evidentemente, porque h&aacute; cursos aqui solicitados por eles que houve, de fato, um comparecimento consider&aacute;vel de pessoas. H&aacute; munic&iacute;pios interessados, mas h&aacute; munic&iacute;pios que n&atilde;o t&ecirc;m nenhum interesse e, neste caso, eu s&oacute; posso entender que a pessoa n&atilde;o est&aacute; realmente interessada em ter um quadro de servidores tecnicamente qualificados.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;Teria uma mensagem aos jurisdicionados?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> A mensagem seria no sentido de que os gestores precisam buscar profissionalizar os servidores do &oacute;rg&atilde;o. Essa decis&atilde;o atua a favor deles porque as contas s&atilde;o de responsabilidade, no fim, do chefe do Executivo, do presidente da autarquia. A responsabilidade perante o Tribunal de Contas &eacute; pessoal, &eacute; dele. Mas o gestor s&oacute; conseguir&aacute; ter um bom desempenho na presta&ccedil;&atilde;o de contas se ele tiver servidores que colaborem para isso. Ressalto que esses colaboradores a serem treinados n&atilde;o podem ser apenas os comissionados. O caminho &eacute; profissionalizar os servidores de carreira, porque s&atilde;o os respons&aacute;veis pela continuidade da administra&ccedil;&atilde;o, do servi&ccedil;o. Como eu disse, s&atilde;o eles que atuar&atilde;o a favor do pr&oacute;prio gestor. N&atilde;o tem como se ter uma boa gest&atilde;o, se n&atilde;o tiver ao lado servidores altamente qualificados.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &mdash;&nbsp;Se pudesse reunir os servidores em um &uacute;nico local, qual mensagem daria a eles?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>ED &mdash;<\/strong> De agradecimento. Em primeiro lugar, por tocarem o Tribunal de Contas. O Tribunal s&atilde;o os conselheiros, o corpo diretivo, as diretorias do controle externo, as secretarias, mas quem toca verdadeiramente o &oacute;rg&atilde;o s&atilde;o seus servidores, de uma forma geral. Ent&atilde;o, a primeira palavra &eacute; de agradecimento e em seguida uma mensagem de esperan&ccedil;a de que o tribunal cada vez melhore. Eu confio nisto: que o Tribunal est&aacute; em uma rota de progresso constante, de evolu&ccedil;&atilde;o constante, n&atilde;o cabe mais nenhum per&iacute;odo de retrocesso, nenhum per&iacute;odo em que o TCE deixe de caminhar no sentido da efici&ecirc;ncia e da efetividade de sua atua&ccedil;&atilde;o.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n\t________________________________________<br \/>\n\tEntrevistador: Elvis Chaves\/Fotos: Socorro Lins\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;font-size: 13.63636302948px;line-height: 20.7000007629395px\">Leia mais&nbsp;entrevistas de:<\/span><br \/>\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11106\">Conselheira Yara Lins<\/a><br \/>\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11160\" style=\"font-size: 13px;line-height: 1.6em\">Conselheiro Raimundo Michiles<\/a><br \/>\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11199\">Conselheiro Julio Pinheiro<\/a><br \/>\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11247\">Conselheiro J&uacute;lio Cabral<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com quase 30 anos de servi&ccedil;os prestados ao Tribunal de Contas do Estado Amazonas, o conselheiro &Eacute;rico Desterro, 50 anos, ingressou no TCE em 1985. 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