{"id":11199,"date":"2014-10-06T09:18:41","date_gmt":"2014-10-06T13:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11199"},"modified":"2014-10-13T09:35:05","modified_gmt":"2014-10-13T13:35:05","slug":"nenhuma-administracao-e-do-presidente-mas-do-todo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11199","title":{"rendered":"\u201cNenhuma administra\u00e7\u00e3o \u00e9 do presidente, mas de todos\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\n\t<em><span style=\"font-size: 13px;line-height: 1.6em\">Filho mais velho de Manoel Norberto Pinheiro e Eul&aacute;lia Correia Pinheiro &mdash; ambos de 85 anos&mdash;, o conselheiro J&uacute;lio Pinheiro, de 53 anos, &eacute; casado h&aacute; 27 anos com a Miriam&nbsp;Blanco Sampietro Pinheiro e pai de Maisa Sampietro Pinheiro, hoje com 22 anos. Com forma&ccedil;&atilde;o em direito, o conselheiro ingressou no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) em 2005, aos 44 anos. Dois anos antes, em 2003 e 2004, comandou uma das maiores secretarias do governo do Estado &mdash; a de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica &mdash; e foi, &nbsp;respectivamente, no mesmo per&iacute;odo, vice-presidente e presidente do Col&eacute;gio Nacional de Secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Brasil. Com perfil de executivo e especializado em gest&atilde;o p&uacute;blica, J&uacute;lio Pinheiro presidiu o TCE em 2010 e 2011 e deixou como marca a moderniza&ccedil;&atilde;o da Corte de Contas e o legado das auditorias ambientais, cujo trabalho &eacute; reconhecido em todo o pais e no Exterior. Nesta entrevista &mdash; da s&eacute;rie com os conselheiros&nbsp;&mdash;, ele falou das conquistas na corte de Contas, do reconhecimento, dos avan&ccedil;os e ainda do trabalho desenvolvido pelos servidores.<\/span><\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n\t&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n\t<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/VALENDO 1.jpg\" style=\"width: 267px;height: 150px\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/VALENDO 2.jpg\" style=\"width: 267px;height: 150px\" \/>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como veio parar no TCE, conselheiro?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>J&Uacute;LIO PINHEIRO &mdash;<\/strong> Eu entrei no Tribunal de Contas do Estado no ano de 2005. Concorri em uma das vagas da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. O meu nome foi aprovado por maioria significativa dos parlamentares, acho que 22 deputados. Fui nomeado em maio de 2005. De l&aacute; pra c&aacute;, j&aacute; se v&atilde;o a&iacute; quase 10 anos.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Antes de ser conselheiro do Tribunal de Contas e depois presidente, o senhor foi secret&aacute;rio de uma das pastas mais delicadas do governo do Estado, a Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica. Que a experi&ecirc;ncia que trouxe de l&aacute;?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A experi&ecirc;ncia muito boa. Essa quest&atilde;o da gest&atilde;o me trouxe um aprendizado muito grande, ser executivo. Voc&ecirc; gerir uma secretaria, que tem milhares de servidores &mdash; naquela &eacute;poca comand&aacute;vamos as Pol&iacute;cias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Detran, Defesa Civil, todas estavam diretamente vinculadas &agrave; secretaria de seguran&ccedil;a, n&atilde;o havia or&ccedil;amentos separados, era um or&ccedil;amento s&oacute; &mdash; &eacute; uma experi&ecirc;ncia grande. Para mim, do ponto de vista pessoal e administrativo, foi uma exitosa experi&ecirc;ncia e que, certamente, foi trazida para o&nbsp;Tribunal de Contas. Eu tive oportunidade depois disso de fazer p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Fiz a Escola Superior de Guerra e fiz p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) focado nessa &aacute;rea de planejamento e gest&atilde;o. Pra mim foi muito importante, exatamente porque eu pude, em fun&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia no executivo, aplicar muita dessa experi&ecirc;ncia aqui no TCE, inovando o tribunal. Realmente fizemos uma grande inova&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; inova&ccedil;&atilde;o do ponto de vista da qualidade do trabalho, mas do tecnol&oacute;gico tamb&eacute;m.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As indica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para o cargo de conselheiro s&atilde;o questionadas por alguns setores da sociedade. Como o senhor avaliar isso?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> Eu acho absolutamente leg&iacute;tima essa indica&ccedil;&atilde;o, a quest&atilde;o da indica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Veja bem, o sistema de escolha dos Tribunais de Contas &eacute; extremamente democr&aacute;tico. Por que? Porque parte maior de seus membros &eacute; escolhida pelo parlamento, tal qual os outros tribunais, como o STJ e o STF, o &uacute;ltimo &eacute; escolhido 100% pelo presidente da Rep&uacute;blica. Nos outros, pelo quinto constitucional, que &eacute; dos advogados e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, mas todos s&atilde;o nomeados e escolhidos em lista tr&iacute;plice pelo chefe do Executivo. Os TCEs tamb&eacute;m t&ecirc;m esse modelo, s&oacute; que &eacute; um modelo misto, porque parte &eacute; do Legislativo e a outra parte o pr&oacute;prio Executivo que escolhe, indicando membro do MPC e auditores que v&atilde;o &agrave; lista para que possam compor o colegiado, al&eacute;m da vaga que &eacute; diretamente do chefe do Executivo. Portanto, o chefe do Executivo tem a miss&atilde;o de escolher o membro diretamente vinculado da vaga espec&iacute;fica do Executivo, o membro do Minist&eacute;rio P&uacute;blico especial e o membro da classe de auditores. Quem escolhe o membro do Tribunal pelo Legislativo &eacute; o pr&oacute;prio Legislativo, o governador s&oacute; faz o processo de nomea&ccedil;&atilde;o. Eu digo que &eacute; democr&aacute;tico porque &eacute; oriundo do povo, ent&atilde;o &eacute; o povo que participa de forma indireta da escolha. O deputado, ao votar em um nome para compor o colegiado do Tribunal de Contas, est&aacute; l&aacute; em nome da popula&ccedil;&atilde;o, portanto, eu considero o sistema absolutamente democr&aacute;tico.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash; Ent&atilde;o o senhor acha que essa variedade de cabe&ccedil;as, cada uma de origem diferente, enriquece o tribunal de contas?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> Demais, porque se tem pessoas de diversas experi&ecirc;ncias e &aacute;reas, pessoas que podem vir do Legislativo, da escolha do chefe do Executivo, e ainda da auditores e procuradores de Contas.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O trabalho do Tribunal de Contas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s auditorias ambientais &eacute; reconhecido em todo o pa&iacute;s e no exterior. O que isso representa para a corte de Contas amazonense?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> N&oacute;s do TCE-AM fizemos, na verdade, uma verdadeira mudan&ccedil;a e quebras de paradigmas. A Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil diz no seu artigo 225 que &eacute; dever do poder p&uacute;blico preservar o meio ambiente, visando as presentes e futuras gera&ccedil;&otilde;es. Dever de preservar e defender. Portanto, cabe a n&oacute;s, e tamb&eacute;m em fun&ccedil;&atilde;o do que diz o artigo 70 e 71, o controle, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil, financeira, or&ccedil;ament&aacute;ria, operacional e patrimonial. E em rela&ccedil;&atilde;o ao patrim&ocirc;nio, o par&aacute;grafo quarto do artigo 225 da Constitui&ccedil;&atilde;o diz l&aacute; a Floresta Amaz&ocirc;nica, a Mata Atl&acirc;ntica, o Pantanal, a Serra do Mar s&atilde;o patrim&ocirc;nios nacionais. Se s&atilde;o patrim&ocirc;nios nacionais e n&oacute;s estando aqui inseridos na maior reserva hidromineral, florestal e de biodiversidade do planeta, n&oacute;s, na verdade, o Tribunal de Contas tem a obriga&ccedil;&atilde;o de cumprir aquilo que diz a Constitui&ccedil;&atilde;o.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong style=\"font-size: 13px;line-height: 1.6em\">Decom &mdash; E como acontece?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> N&oacute;s agimos de forma preventiva, porque agimos de of&iacute;cio, n&atilde;o precisamos ser provocados. Controlamos as licen&ccedil;as ambientais para saber se elas s&atilde;o emitidas dentro dos crit&eacute;rios legais. Controlamos as licita&ccedil;&otilde;es para saber se elas t&ecirc;m estudo de impacto ambiental nas constru&ccedil;&otilde;es, se h&aacute; relat&oacute;rios de impacto ambiental, enfim, tudo isso do ponto de vista preventivo. O tribunal age evitando o dano, o dano n&atilde;o se instalou, portanto n&oacute;s agimos sob a perspectiva do risco, e n&atilde;o do dano. Os outros mecanismos judiciais, por exemplo, de defesa do meio ambiente, s&oacute; ocorre se houver uma provoca&ccedil;&atilde;o. O Poder Judici&aacute;rio s&oacute; entra em uma contenda se houver provoca&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico ou do cidad&atilde;o por meio de uma a&ccedil;&atilde;o popular. N&oacute;s agimos de of&iacute;cio e podemos ir no nascedouro, antes de acontecer o problema, fiscalizar as licen&ccedil;as ambientais e editais de licita&ccedil;&otilde;es, fazendo a preven&ccedil;&atilde;o devida, fazendo com que o tribunal possa exercer esse papel fundamental. Esse trabalho tem sido reconhecido. N&oacute;s passamos a fazer isso com a Lei de Res&iacute;duos S&oacute;lidos, de 2010, que iniciou sua proposta no maior congresso internacional que n&oacute;s fizemos aqui, o Simp&oacute;sio Internacional de Gest&atilde;o Ambiental e Controle em Contas P&uacute;blicas. E a partir dali, ali&aacute;s, um pouco antes disso, j&aacute; em 2010, quando assumi a presid&ecirc;ncia do tribunal, n&oacute;s passamos efetivamente a fazer esse trabalho preventivo para garantir a aplica&ccedil;&atilde;o da lei n&ordm; 12.305, tanto que esse trabalho deu t&atilde;o certo que o &uacute;nico Estado brasileiro que apresentou os 100% dos planos de gest&atilde;o integrada de res&iacute;duos s&oacute;lidos foi o do Amazonas, em fun&ccedil;&atilde;o de um trabalho preventivo de orienta&ccedil;&atilde;o. Fizemos isso para exatamente fazer com que a lei pudesse ser aplicada dentro da sua integridade. &Eacute; uma ferramenta preventiva. N&atilde;o confundir controle pr&eacute;vio com controle preventivo, o primeiro seria se eu quisesse substituir Ipaam (Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental do Amazonas) e &oacute;rg&atilde;os ambientais do Estado e munic&iacute;pios, n&atilde;o. Queremos verificar se as licen&ccedil;as ambientais est&atilde;o sendo criteriosamente expedidas, analisar as licita&ccedil;&otilde;es ambientais. Por exemplo, o Tribunal suspendeu a licita&ccedil;&atilde;o do aterro sanit&aacute;rio de Manaus de mais de R$ 2,3 bilh&otilde;es. Para isso que o Tribunal existe. Olhando o aspecto futurista, preventivo, e eu n&atilde;o tenho d&uacute;vida nenhuma que n&oacute;s atingimos os nossos objetivos com tudo aquilo que foi pensado desde 2005, ano em que entrei aqui.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &ndash; H&aacute; um reconhecimento do TCU em rela&ccedil;&atilde;o a esse trabalho, n&atilde;o h&aacute;?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> H&aacute;. Tanto que recebemos uma mo&ccedil;&atilde;o de reconhecimento, na &eacute;poca. O TCU era presidido pelo ministro Benjamin (Zimler), que prop&ocirc;s uma mo&ccedil;&atilde;o de reconhecimento ao Tribunal de Contas do Amazonas pelo trabalho preventivo de auditorias ambientais que est&aacute;vamos realizando. Lembro que no in&iacute;cio, esse sonho da auditoria ambiental, foi recha&ccedil;ada. Quando propus a cria&ccedil;&atilde;o desse departamento, essa ideia foi 100% negada porque na Corte achavam que&nbsp;n&atilde;o era atribui&ccedil;&atilde;o nossa. Hoje tudo mudou. A prova cabal &eacute; que Amazonas tem espa&ccedil;o em v&aacute;rios locais. Eu j&aacute; tive oportunidade de fazer palestras sobre o assunto na &Aacute;ustria, Espanha e Argentina. Os argentinos nos chamaram e vieram aqui depois, em 2012, porque queriam implantar auditoria ambiental. Eu fui l&aacute; em 2011 para mostrar o trabalho dos nossos servidores, desse abnegado corpo de servidores do Departamento de Auditoria Ambiental, pequeno, mas altamente qualificado, competente, preparado e comprometido com o tribunal. Isso n&atilde;o pode acabar nunca. Esse legado, quer queiram ou n&atilde;o, &eacute; um legado irrevers&iacute;vel, que &eacute; o que fica. Temos ainda o reconhecimento de entidades internacionais, como a ONU (Organiza&ccedil;&atilde;o das Nac&ccedil;&otilde;es Unidas). Eu acabei de participar de um evento que reuniu v&aacute;rias universidades das Am&eacute;ricas, 21 pa&iacute;ses participantes, mais de 500 pessoas e estava l&aacute;, ali&aacute;s o Tribunal de Contas, com a chancela Amazonas, falando de auditoria ambiental. Conseguimos que isso acontecesse em um curto espa&ccedil;o de tempo, gra&ccedil;as ao convencimento cada conselheiro tem hoje da import&acirc;ncia da quest&atilde;o ambiental para os TCEs.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O senhor est&aacute; levando a Ouvidoria do TCE para o interior. Qual &eacute; a meta?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> Eu sempre achei que dev&iacute;amos aproximar o TCE da sociedade. Quando eu quis implementar as inspetorias no interior do Amazonas, era exatamente no sentido de fazer essa aproxima&ccedil;&atilde;o. Infelizmente, h&aacute; algum tempo, n&atilde;o consegui &ecirc;xito, pois fui voto vencido. Eu pensava exatamente nisso, que dever&iacute;amos interiorizar o Tribunal com inspetorias, inicialmente em dez polos. Eu me lembro que eu havia pensado que o primeiro polo seria Parintins, porque &eacute; uma cidade refer&ecirc;ncia. Quando fui coordenador-geral da ECP (Escola de Contas P&uacute;blicas) e quando fui presidente do TCE, eu fui muito ao interior do Estado e de l&aacute; percebi, ao fazer as palestras sobre a quest&atilde;o ambiental ou sobre a fun&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica da Escola de Contas, percebi que as pessoas conheciam muito pouco a fun&ccedil;&atilde;o do Tribunal. Quando eu perguntava nas palestras quem conhecia o TCE, pouca gente levantava a m&atilde;o. O n&iacute;vel de conhecimento era muito baixo. Ent&atilde;o eu disse: &ldquo;Bom, n&oacute;s precisamos interiorizar o tribunal&rdquo;. Ent&atilde;o fizemos isso com a ECP e, agora, quando assumi a Ouvidoria, continuamos esse trabalho. Este ano, j&aacute; fui em v&aacute;rios munic&iacute;pios, como Tabatinga, Benjamin Constant, Parintins e Coari, fazendo palestras nas universidades e escolas do ensino m&eacute;dio. Recentemente, quando fomos levar a Ouvidoria a Tabatinga, n&oacute;s conseguimos colocar uma arquibancada inteira, &agrave; noite, em torno de mil pessoas (de professores, alunos, pessoas da comunidade e vereadores) para ouvir sobre o Tribunal. Em Manacapuru, a C&acirc;mara Municipal parou uma sess&atilde;o para assistir a nossa fala em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Ouvidoria. Esse trabalho de integra&ccedil;&atilde;o no interior &eacute; fundamental para que o Tribunal possa ser conhecido, al&eacute;m de melhorarmos a nossa presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional. S&oacute; este ano, n&oacute;s j&aacute; atingimos, temos o cadastro dessas pessoas, algo em torno de 3,2 mil participantes nas palestras sobre Ouvidoria. Em tabatinga eu tive uma grata satisfa&ccedil;&atilde;o, que a noite, as pessoas em peso, pra assistir algu&eacute;m falar s&oacute; do tribunal de contas, o que pra gente &eacute; importante, o que demonstra o interesse da popula&ccedil;&atilde;o. Vamos iniciar um trabalho piloto com urnas na Regi&atilde;o Metropolitana. A popula&ccedil;&atilde;o vai poder nos dizer, por exemplo, sobre a falta de rem&eacute;dio, falta de merenda escolar, falta de carteira do aluno, do estado das escolas. Com isso, o tribunal vai procurar os &oacute;rg&atilde;o para que se possa melhorar a qualidade da gest&atilde;o.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash;&nbsp; Qual a m&eacute;dia de processos que o senhor julga por m&ecirc;s?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong>&nbsp; N&oacute;s temos uma m&eacute;dia razo&aacute;vel, mas acho que isso n&atilde;o &eacute; o mais importante, temos que estabelecer a quest&atilde;o, repito, da qualidade. Isso varia muito, depende. Tem situa&ccedil;&otilde;es que voc&ecirc; tem um conv&ecirc;nio com x contratos, mas cada contrato &eacute; um processo, apesar de ser um assunto s&oacute;. A preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; que voc&ecirc; possa exercer a sua fun&ccedil;&atilde;o, fazer o que o tribunal faz hoje. Eu diria que a m&eacute;dia &eacute; que estamos dentro dos padr&otilde;es de produtividade, sempre atingimos a m&eacute;dia maior de produtividade, que &eacute; o que importa. Procuramos exatamente estabelecer esse crit&eacute;rio de qualidade, tentar fazer o m&aacute;ximo poss&iacute;vel, para que possamos atingir a quantidade, mas sem esquecer da qualidade.&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash;&nbsp;Seu bi&ecirc;nio &agrave; frente da presid&ecirc;ncia foi em 2010-2011, qual o legado?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong>&nbsp;Nenhuma administra&ccedil;&atilde;o &eacute; do presidente do tribunal e sim de um contexto. Eu disse isso quando sa&iacute; da presid&ecirc;ncia do tribunal e deixei o Planejamento Estrat&eacute;gico at&eacute; 2017. Fizemos um miniplanejamento estrat&eacute;gico em 2010 e outro em 2011 para vigorar at&eacute; 2017. Ent&atilde;o, a administra&ccedil;&atilde;o &eacute; um conjunto, um todo. &Eacute; claro que depende muito de quem dirige e toma as decis&otilde;es. Tomamos v&aacute;rias decis&otilde;es para fazer com que a administra&ccedil;&atilde;o tivesse um aspecto de mudan&ccedil;a, de melhoria. <a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/Valendo_ok.jpg\">A implanta&ccedil;&atilde;o do voto eletr&ocirc;nico &eacute; um exemplo. N&oacute;s trabalhamos para implanta&ccedil;&atilde;o do processo eletr&ocirc;nico<\/a>. O primeiro processo completamente eletr&ocirc;nico foi o n&ordm; 1817\/2011, da C&acirc;mara Municipal de Amatur&aacute;, que foi julgado no dia 30 de novembro de 2011 pelo conselheiro Josu&eacute; Filho. Esse processo deu entrada de forma 100% eletr&ocirc;nica no dia 6 de abril de 2011. N&oacute;s implementamos o voto eletr&ocirc;nico que agilizou e muito a qualidade dos nossos trabalhos. Enquanto a gente passava horas e horas em uma sess&atilde;o para julgar uma quantidade pequena de processos, com o julgamento eletr&ocirc;nico, o quantitativo aumentou, consideravelmente. Foi uma ferramenta de agiliza&ccedil;&atilde;o do TCE. Fora isso n&oacute;s implantamos a ISO 9001, que at&eacute; hoje o Tribunal segue &agrave; risca a sua orienta&ccedil;&atilde;o. Ela foi implantada no final de 2011 e foi dada sequ&ecirc;ncia pelo conselheiro &Eacute;rico Desterro e tamb&eacute;m pela presid&ecirc;ncia do conselheiro Josu&eacute;. A ISO avan&ccedil;ou com o conselheiro &Eacute;rico e agora com o conselheiro Josu&eacute;. N&oacute;s implementamos v&aacute;rias outras pol&iacute;ticas de melhorias aqui no TCE: o Di&aacute;rio Oficial Eletr&ocirc;nico, uma ferramenta fundamental que fez com que n&oacute;s tiv&eacute;ssemos a economia de milhares de reais por ano, uma vez que passamos a publicar as nossas decis&otilde;es de forma digital e sem papel. Fizemos a inaugura&ccedil;&atilde;o de um memorial para que realmente tiv&eacute;ssemos a hist&oacute;ria da corte resgatada. Conseguimos, em 2010, realizar todas as inspe&ccedil;&otilde;es do ano relativas ao exerc&iacute;cio anterior. Vale ressaltar que no tribunal n&oacute;s faz&iacute;amos inspe&ccedil;&otilde;es tr&ecirc;s, quatro anos depois. Por uma decis&atilde;o da presid&ecirc;ncia, a partir de 2010, realizamos todas as inspe&ccedil;&otilde;es nos mais de 370 jurisdicionados do Tribunal &nbsp;em &nbsp;todo o Estado. Mantivemos isso em 2011 e muitos processos foram julgados, algo em torno de 17% dos processos julgados em 2011 eram referentes &agrave;&nbsp;2010. Isso, para n&oacute;s, deu um ganho de qualidade absolutamente importante. Fizemos tamb&eacute;m, que eu considero importante, a digitaliza&ccedil;&atilde;o dos processos. Isso iniciou em 2011, exatamente para fazer parte desse processo eletr&ocirc;nico, n&oacute;s passamos a digitalizar todas as p&aacute;ginas do processo. Para isso fizemos um conv&ecirc;nio contratando surdos e mudos, considerado o contrato de maior impacto social do TCE. Eles iniciaram a digitaliza&ccedil;&atilde;o dos processos em 2011. O TCE melhorou a sua performance com a instala&ccedil;&atilde;o do processos e voto eletr&ocirc;nico.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash; O processo de moderniza&ccedil;&atilde;o do TCE iniciou em sua gest&atilde;o, o que o senhor ainda espera do TCE?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> N&oacute;s fizemos um planejamento estrat&eacute;gico em 2011 para vigorar at&eacute; 2017, prevendo todas essas quest&otilde;es de melhorias. Em 2010, tivemos uma dificuldade or&ccedil;ament&aacute;ria muito grande, mas em 2011 conseguimos rever o percentual. Isso porque em 2010, eu trabalhei com um or&ccedil;amento menor e de 2011 foi o or&ccedil;amento melhor, conseguimos reaver os 0,5% que haviam nos tirado. Em 2011, n&oacute;s conseguimos aumentar o &iacute;ndice da Lei de Responsabilidade Fiscal para gasto de pessoal de 1,1% para 1,3%, que passou a vigorar a partir de 2012, o que viabilizou ao TCE a realiza&ccedil;&atilde;o de concurso e ainda melhoria da quest&atilde;o de pagamentos. Eu mandei dois projetos de lei para assembleia, em 2010 e 2011, que foram aprovados, reajustando os sal&aacute;rios dos servidores do tribunal, mesmo estando com dificuldades or&ccedil;ament&aacute;rias. A administra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; de um presidente &eacute; de todo um corpo, do tribunal. N&atilde;o &eacute; o presidente que toma para si, que faz tudo em um passe de m&aacute;gica. Se n&atilde;o fossem os servidores, muitas coisas n&atilde;o seriam poss&iacute;vel, por exemplo. Na minha &eacute;poca, toda a semana reun&iacute;amos departamento por departamento no gabinete da presid&ecirc;ncia com o objetivo de melhorar o trabalho. Dizia que precis&aacute;vamos implantar um tribunal diferente.&nbsp; N&oacute;s conseguimos realizar o sonho das auditorias ambientais gra&ccedil;as ao empenho dos servidores. Todos os avan&ccedil;os que aconteceram na gest&atilde;o do conselheiro &Eacute;rico Desterro, agora na do conselheiro Josu&eacute; Filho e nas futuras gest&otilde;es, n&oacute;s devemos aos servidores do tribunal.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>Decom &mdash; Uma mensagem aos servidores?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>JP &mdash;<\/strong> Eu diria o seguinte: vale &agrave; pena voc&ecirc; perseguir um sonho. N&atilde;o parar de sonhar nunca, perseguir, insistir e persistir na perfei&ccedil;&atilde;o. O TCE &eacute; institui&ccedil;&atilde;o importante ou uma das mais importantes. Isso porque o futuro e o bem estar das pessoas passam por n&oacute;s.&nbsp; Se n&oacute;s tivermos uma boa fiscaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; na quest&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria e financeira, mas em outras quest&otilde;es, como auditorias operacionais de manejos florestais, com a preserva&ccedil;&atilde;o da floresta, por exemplo, estaremos fazendo o nosso trabalho. Hoje, nossa floresta &eacute; cobi&ccedil;ada pelo planeta inteiro. &Eacute; por isso que as entidades internacionais e o TCU entenderam, por uma sugest&atilde;o nossa, e fizeram a primeira inspetoria coordenada na &aacute;rea de manejo florestal. N&oacute;s j&aacute; hav&iacute;amos feito a nossa e foi aperfei&ccedil;oada. Tamb&eacute;m foi a primeira a ser entregue e a mais elogiada. Por isso, que eu devoto reconhecimento para todos os nossos servidores do Deamb (Departamento de Auditoria Ambiental), claro, sem esquecer os demais do TCE. O tribunal melhorou como um todo, desde as realiza&ccedil;&otilde;es das inspe&ccedil;&otilde;es realizadas no mesmo ano &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do volume de processos, gra&ccedil;as &agrave;s pol&iacute;ticas implantadas pelos presidentes. Os projetos foram continuados com muita compet&ecirc;ncia pelo conselheiro &Eacute;rico (Desterro), por exemplo, e o Josu&eacute; (Filho) haver&aacute; de ter a mesma continuidade com o presidente Ari (Moutinho). Todos os presidente que nos antecederam tamb&eacute;m tiveram sua contribui&ccedil;&atilde;o. O presidente Cabral (J&uacute;lio) com a entrega desse pr&eacute;dio, o conselheiro Michiles (Raimundo) tamb&eacute;m teve a sua participa&ccedil;&atilde;o. Desde que eu ingressei neste tribunal, na &eacute;poca do conselheiro Jo&atilde;o Braga, ele s&oacute; teve progress&atilde;o geom&eacute;trica, para o bem da sociedade. Hoje, n&oacute;s temos uma Escola de Contas P&uacute;blicas e uma Ouvidoria bastante reconhecidas.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n\t___\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n\t<em>Entrevistador: Elvis Chaves\/Fotos: Socorro Lins\/<\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n\t&nbsp;\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;font-size: 13.63636302948px;line-height: 20.7000007629395px\">Leia mais&nbsp;entrevistas de:<\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11106\">Conselheira Yara Lins<\/a><br \/>\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11160\" style=\"font-size: 13px;line-height: 1.6em\">Conselheiro Raimundo Michiles<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filho mais velho de Manoel Norberto Pinheiro e Eul&aacute;lia Correia Pinheiro &mdash; ambos de 85 anos&mdash;, o conselheiro J&uacute;lio Pinheiro, de 53 anos, &eacute; casado h&aacute; 27 anos com a Miriam&nbsp;Blanco Sampietro Pinheiro e pai de Maisa Sampietro Pinheiro, hoje com 22 anos. Com forma&ccedil;&atilde;o em direito, o conselheiro ingressou no Tribunal de Contas do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}