{"id":11160,"date":"2015-08-18T10:28:41","date_gmt":"2015-08-18T14:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11160"},"modified":"2015-08-26T15:54:27","modified_gmt":"2015-08-26T19:54:27","slug":"nao-devemos-trabalhar-esperando-elogios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11160","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o devemos trabalhar esperando elogios\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\n\t<em><span style=\"background-color:#FFFF00\">Entrevista concedida ao Decom em setembro de 2014<\/span><\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<em>Segundo de 16 irm&atilde;os, o conselheiro Raimundo Jos&eacute; Michiles, 69 anos,&mdash; ou apenas &ldquo;Bigota&rdquo; para os maueenses &mdash;&nbsp;ingressou no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas em 1977, por concurso, para o cargo de auditor do TCE. Formado em contabilidade e direito, Michiles foi nomeado para compor o colegiado do TCE pelo ent&atilde;o governador Amazonino Mendes na vaga destinada &agrave; Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A menos de um ano de sua aposentadoria, o conselheiro revelou que j&aacute; est&aacute; tirando o p&eacute; do acelerador para se preparar para a nova etapa da vida. Apaixonado pela mulher (Aldenora), pela filha (Nayara), pelo neto (Kalled) e pela Bebel (cadelinha), o conselheiro quer, depois de mais de 35 anos de servi&ccedil;os prestados &agrave; corte de Contas, estar do lado da fam&iacute;lia. Nesta entrevista &mdash; da s&eacute;rie com conselheiros &nbsp;&mdash;, ele revelou que j&aacute; sonhou um dia em ser prefeito da cidade de Mau&eacute;s, sobretudo por incentivo de amigos de inf&acirc;ncia que pediam &ldquo;Bigota para prefeito&rdquo;, e falou sobre sua chegada ao TCE, al&eacute;m de aconselhar os servidores a fazerem o melhor no trabalho, sem esperar por reconhecimento. Leia.<\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n\t<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/Tratada 1.jpg\" style=\"width: 249px;height: 150px\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/wp-content\/uploads\/file\/Tratada 2.jpg\" style=\"width: 241px;height: 150px\" \/>\n<\/p>\n<p>\n\t<strong>DECOM &#8211; A sua vaga de conselheiro&nbsp;n&atilde;o veio da vaga de auditor, mas da Assembleia? O que aconteceu na &eacute;poca, conselheiro?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RAIMUNDO&nbsp;MICHILES <\/strong>&#8211; Escolha. A vaga de auditor estava preenchida pelo conselheiro L&uacute;cio (Albuquerque). Havia vagas pra preencher de conselheiro da livre escolha do governador e da Assembleia (Legislativa do Estado do Amazonas). O governador na &eacute;poca, o Amazonino (Mendes) havia um compromisso\/promessa, desde a posse do conselheiro Jos&eacute; Augusto, em 2000, que a pr&oacute;xima vaga seria preenchida por mim. Mas a pr&oacute;xima vaga foi preenchida pelo Alu&iacute;sio (Aires da Cruz)&nbsp;e depois, quando vagou mais, ele me nomeou, pela indica&ccedil;&atilde;o da Assembleia, mas escolha foi dele e me nomeou.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; O senhor era do extinto Icoti, mas decidiu vir para o TCE-AM. Em que ano foi e por que?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM &#8211;<\/strong> O concurso para auditor eu fiz foi em 1976. Eram quatro vagas, eu fui o segundo colocado, mas fui o &uacute;ltimo a tomar posse, porque onde eu estava, no Icoti (Instituto de Coopera&ccedil;&atilde;o T&eacute;cnica Intermunicipal),&nbsp;eu ganhava muito mais. A minha filha, a Nayara (Michiles), nasceu no dia 17 agosto de 1976, e em seguida houve o concurso, eu passei e ent&atilde;o estava numa fase de ganhar dinheiro. Quando fomos nomeados em mar&ccedil;o de 1977, eu pedi prorroga&ccedil;&atilde;o para tomar posse, os outros tomaram posse logo. O primeiro colocado foi o &Aacute;tila Lins (deputado federal), o segundo foi eu, a terceira foi a Dalila (Silveira) e o quarto foi o L&uacute;cio (Albuquerque). Fui o &uacute;ltimo a tomar posse, no &uacute;ltimo minuto do segundo tempo. A hist&oacute;ria foi essa. Hoje, eu costumo dizer para minha mulher: &ldquo;Olha, se eu n&atilde;o tivesse tomado posse como auditor no TCE, hoje n&oacute;s estar&iacute;amos puxando uma &lsquo;cachorrinha lascada&rsquo;, porque o Icoti foi extinto, mas eu j&aacute; estava aqui, gra&ccedil;as a Deus!\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; Nesses mais de 30 anos prestados ao TCE, o senhor tem no&ccedil;&atilde;o de quantos processos julgou? Qual &eacute; a m&eacute;dia anual?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM <\/strong>&#8211; N&atilde;o tenho a m&iacute;nima ideia, at&eacute; porque eu n&atilde;o fa&ccedil;o conta, n&atilde;o fico contabilizando. Para mim, o importante n&atilde;o &eacute; a quantidade, mas a qualidade do julgamento. Ent&atilde;o, eu n&atilde;o fa&ccedil;o nem quest&atilde;o de aparecer como o primeiro, segundo, terceiro ou quarto a julgar dentro do TCE. A minha meta &eacute; a qualidade, isso eu sempre busquei desde que eu ingressei no Tribunal de Contas, procurei sempre fazer um trabalho de qualidade e n&atilde;o de quantidade.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; O senhor tamb&eacute;m acompanhou o crescimento e a moderniza&ccedil;&atilde;o da Corte de Contas. Tem algum epis&oacute;dio que o senhor guarde na mem&oacute;ria?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Eu n&atilde;o gosto de guardar as coisas ruins que acontecem. Em toda reparti&ccedil;&atilde;o existe a inveja, a fofoca, as futricas. Ent&atilde;o, eu procuro sempre superar isso. Sempre procurei colaborar com o TCE, trazer o melhor para o tribunal, isso, sim, foi sempre a minha meta. Eu sempre digo aos servidores o seguinte: &ldquo;no servi&ccedil;o p&uacute;blico quem demonstrar compet&ecirc;ncia, passa a ser burro de carga, porque tudo o que os outros setores n&atilde;o resolvem, vai para cima de voc&ecirc;. Mas isso n&atilde;o conta ponto, n&atilde;o conta como produtividade. Ent&atilde;o, se o servidor est&aacute; ajudando, orientando algu&eacute;m, isso a&iacute; ningu&eacute;m observa. Eu sempre procurei ajudar. Hoje, por exemplo, eu ajudo at&eacute; na parte social do TCE, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos servidores. Se tem algu&eacute;m doente, procuro resolver problema de hospitaliza&ccedil;&atilde;o, at&eacute; parentes de servidores. Aquilo que pudermos ajudar, &eacute; v&aacute;lido. Eu sempre agi dessa maneira. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; administra&ccedil;&atilde;o, qualquer pessoa que chegue ao meu gabinete ser&aacute; atendida. Ele estar&aacute; de portas abertas para qualquer pessoa. Aquilo que eu puder orientar dentro do meu conhecimento, eu oriento. Aquilo que eu n&atilde;o puder orientar no momento, eu vou apurar, aprender e depois retornar com as informa&ccedil;&otilde;es.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; Em todas as sess&otilde;es do Pleno, o senhor &eacute; um dos conselheiros que mais faz destaques? Gosta mesmo de acompanhar todos os casos?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Bem, eu sou do tempo voto lido na sess&atilde;o, como ainda &eacute; at&eacute; hoje no Supremo (Tribunal Federal), por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a. Os processos iam para a pauta no pleno e o relat&oacute;rio era lido todo. Alguns escreviam, outros resumiam o laudo t&eacute;cnico e a&iacute; passavam a palavra pro Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Contas, que tamb&eacute;m lia todo o parecer. &Agrave;s vezes, voc&ecirc; prestava aten&ccedil;&atilde;o, &agrave;s vezes n&atilde;o. Tinha uns que conversavam e n&atilde;o estavam nem a&iacute;, mas depois concordavam com o parecer do MPC ou com o do relator. Depois de um tempo, os auditores passaram a relatar processos. Ent&atilde;o, passamos a fazer os relat&oacute;rios escritos, a partir da assessoria, j&aacute; n&atilde;o eram mais s&oacute; lidos os processos. Em 2008, quando eu estava na presid&ecirc;ncia do Tribunal, o ministro M&aacute;rio Campbell me disse, durante sua posse, em Bras&iacute;lia, que existia no STJ um programa de julgamento eletr&ocirc;nico, que voc&ecirc; poderia acessar at&eacute; do exterior o relat&oacute;rio e voto de um processo. Ent&atilde;o, n&oacute;s trouxemos a ideia para c&aacute;. Mandamos os nossos t&eacute;cnicos &agrave; capital federal, para verificar a possibilidade de traz&ecirc;-lo. Ap&oacute;s constatar a viabilidade, assinei um termo de coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica com STJ, que possibilitou de o programa iniciar o processo de implementa&ccedil;&atilde;o no TCE. Os programas n&atilde;o s&atilde;o implementados de imediato, at&eacute; pela dificuldade da parte t&eacute;cnica, mas iniciou em minha gest&atilde;o. Com o sistema de julgamento eletr&ocirc;nico implantado, houve mais facilidade de acesso ao processo. Quando o relat&oacute;rio &eacute; detalhado, completo e responde suas d&uacute;vidas, n&atilde;o fazemos questionamentos. Quando n&atilde;o &eacute;, voc&ecirc; &eacute; obrigado a pedir vista do processo, para poder ter mais conhecimento. Quando se discorda do m&eacute;rito ou de san&ccedil;&atilde;o, se faz o destaque. &Eacute; natural. Por exemplo, se tem uma glosa de tal valor, mas foi dada a oportunidade de defesa para o gestor? Se &eacute; um valor pequeno, n&atilde;o seria mais f&aacute;cil para o gestor recolher esse valor, do que depois contratar um advogado para fazer um recurso? Essas respostas, &agrave;s vezes, n&atilde;o est&atilde;o no relat&oacute;rio, n&atilde;o se tem esse detalhe. Ent&atilde;o, &agrave;s vezes, &eacute; necess&aacute;rio pedir vista.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; Com esse ritmo de trabalho, sua assessoria tem de estar sempre a 100 quil&ocirc;metros por hora? Como ela &eacute; composta? Eles tomam o p&oacute; de guaran&aacute; para aguentar o pique, conselheiro?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; N&atilde;o, s&oacute; quem toma p&oacute; de guaran&aacute; aqui sou eu, todos os dias. Antes, depois do almo&ccedil;o, eu sentia sono e tinha dificuldade, hoje n&atilde;o. Quando eu estou examinando um processo e tenho alguma dificuldade, eu chamo a pessoa quem fez o processo, para conversar. Questiono para saber se o que entendi bate com a informa&ccedil;&atilde;o do assessor. Eu examino todas as presta&ccedil;&otilde;es de contas, balan&ccedil;os, tudo. Eu imprimo o processo e fa&ccedil;o an&aacute;lise junto com a pessoa. Tenho uma contadora que faz esse trabalho pr&eacute;vio da an&aacute;lise do balan&ccedil;o, mas eu confiro tudo. S&atilde;o quatro assessores, n&atilde;o d&aacute; para o volume de processos que chegam, ainda mais agora com a quantidade de t&eacute;cnicos que n&oacute;s temos. Ent&atilde;o, a partir de 2009, com o concurso, os processos saem com mais facilidade do Controle Externo. Tenho ainda assistentes t&eacute;cnicos que s&atilde;o respons&aacute;veis pela an&aacute;lise de presta&ccedil;&otilde;es de contas de conv&ecirc;nios, aposentadorias, pens&otilde;es e tamb&eacute;m assessor que se dedica mais &agrave; parte de recursos de aposentadorias. H&aacute; diverg&ecirc;ncias entre os relatores sobre a aposentadoria. &Agrave;s vezes, est&aacute; faltando um documento e &eacute; julgado ilegal uma aposentadoria. Eu acho um absurdo. Eu penso que o lado humano precisa ser preservado, n&atilde;o estou nem ligando para ISO. O processo aqui e eu mesmo mando o fazer o of&iacute;cio e assino para a reparti&ccedil;&atilde;o, para o aposentado, para o pensionista, para trazer o documento, que, &agrave;s vezes, a reparti&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem. Isso acontece principalmente com as prefeituras do interior. Tem processos mal instru&iacute;dos, talvez por n&atilde;o possu&iacute;rem conhecimento. At&eacute; porque &eacute; muito simples voc&ecirc; julgar ilegal e mandar retirar os proventos da folha de pagamento, e etc., e o lado social? E o cidad&atilde;o que ganha um sal&aacute;rio m&iacute;nimo, como vai sobreviver sem esse dinheiro?\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, qual a principal legado deixado em sua gest&atilde;o na presid&ecirc;ncia do TCE?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Eu acho que cada presidente exerce o seu papel. Infelizmente no TCE n&atilde;o h&aacute; uma continuidade a determinados projetos e programas que voc&ecirc; implementa. Isso acontece em toda reparti&ccedil;&atilde;o, aqui no Tribunal, na Assembleia, em todas as reparti&ccedil;&otilde;es, o que o outro fez n&atilde;o serviu nada. Fazer o qu&ecirc;? Eu coordenei o Programa de Moderniza&ccedil;&atilde;o do Controle Externo dos Estados e Munic&iacute;pios (Promoex). &Agrave;s vezes, s&atilde;o picuinhas que as pessoas levam como desaven&ccedil;a, levam pro lado pessoal. Eu n&atilde;o estou muito ligando para isso n&atilde;o. Na minha gest&atilde;o, em 2009, elaborei a lei que criou a Escola de Contas P&uacute;blicas do TCE; a lei que instituiu o di&aacute;rio eletr&ocirc;nico do tribunal. Na verdade, eu tive participa&ccedil;&atilde;o at&eacute; na altera&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o estadual, que permitiu aos &oacute;rg&atilde;os criar os seus di&aacute;rios eletr&ocirc;nicos. A altera&ccedil;&atilde;o foi feita a partir da minha proposta, a emenda foi em 2010.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; O senhor tem uma boa rela&ccedil;&atilde;o com a imprensa e os rep&oacute;rteres t&ecirc;m admira&ccedil;&atilde;o pelo seu trabalho. Como conquistou os jornalistas?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Em uma ocasi&atilde;o, aqui no tribunal, eu presenciei um rep&oacute;rter ser destratado. Quando eu assumi a presid&ecirc;ncia, eu determinei que a sess&atilde;o do TCE fosse p&uacute;blica. Teria acesso a ela qualquer pessoa que quisesse participar. Ent&atilde;o jornalistas todos vieram para c&aacute;. Fazia quest&atilde;o de anunciar, nas sess&otilde;es, nome do rep&oacute;rter e do ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o para quem trabalhava, n&atilde;o por querer me aparecer, mas, sim, tamb&eacute;m para alertar aos conselheiros que a imprensa estava presente. Procuro ajudar quem me procura. Sou acess&iacute;vel, sem falar que sempre agradecia ao jornalista pelas mat&eacute;rias ou notas a respeito do TCE, como forma de reconhecer o trabalho de todos. Isso &eacute; importante.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; A menos de um ano de sua aposentaria, como o senhor est&aacute; se preparando para essa nova etapa da vida, uma vez que passa mais de 12 horas trabalhando em seu gabinete, no TCE?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Minha mulher j&aacute; me disse: &ldquo;&Eacute; bom voc&ecirc; tirar o p&eacute; do acelerador&rdquo;. E eu j&aacute; estou fazendo isso. &Agrave;s vezes, saio daqui 17h15 para pegar meu neto no col&eacute;gio e vou direto para casa. Estou tentando mudar a minha rotina. J&aacute; s&atilde;o 38 anos. Se eu for convidado para assumir alguma fun&ccedil;&atilde;o no servi&ccedil;o p&uacute;blico assim que me aposentar, sinceramente, n&atilde;o vou aceitar. N&atilde;o pretendo mais. Vai se candidatar a prefeito de Mau&eacute;s? Eu tinha essa inten&ccedil;&atilde;o h&aacute; muito tempo, hoje eu n&atilde;o quero mais. Quero descansar com a fam&iacute;lia.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; Qual mensagem que o senhor daria aos servidores do TCE se pudesse falar com eles de uma vez s&oacute; hoje?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Eu sempre orientei os servidores a cumprirem sua obriga&ccedil;&atilde;o. &Agrave;s vezes, fica-se questionando porque n&atilde;o foi reconhecido por ter feito um trabalho bonito e bem elaborado. Eu sempre oriento: &ldquo;faz o teu trabalho correto e n&atilde;o espere que algu&eacute;m te elogie&rdquo;. Agora, uma coisa &eacute; certa, algu&eacute;m poder&aacute; estar observando o trabalho que est&aacute; fazendo. Voc&ecirc; pensa que n&atilde;o, mas at&eacute; na reda&ccedil;&atilde;o dos relat&oacute;rios dos laudos t&eacute;cnico se sabe quem fez, n&oacute;s conhecemos os tipos de reda&ccedil;&atilde;o. Reconhecemos ainda aqueles t&eacute;cnicos eficientes e os que n&atilde;o se esfor&ccedil;am tanto e nem fazem seu trabalho corretamente.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; E uma mensagem aos gestores?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Reconhe&ccedil;o que &eacute; muito dif&iacute;cil administrar. No m&ecirc;s de janeiro de 2008, quando assumi a presid&ecirc;ncia do TCE, eu chamei meu pessoal e disse: &ldquo;at&eacute; o dia 31 dezembro de 2007, eu era um martelo. A partir de hoje, eu sou o prego e o telhado de vidro. Ent&atilde;o vamos fazer as coisas corretamente&rdquo;. Se administrar o Tribunal de Contas com os seus 600 ou 700 colaboradores j&aacute; &eacute; dif&iacute;cil, imagina administrar um munic&iacute;pio, um Estado, um pa&iacute;s cheio de peculiaridades? &Eacute; mais dif&iacute;cil ainda, com certeza. A legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; feita de uma maneira geral, aquilo que serve pra Uni&atilde;o, que possui uma estrutura boa, com assessores e doutores E etc. &eacute; a mesma aplicada aos munic&iacute;pios de Envira, Mara&atilde;, Japur&aacute;, por exemplo. Por isso que eu questiono, &agrave;s vezes no plen&aacute;rio, o problema de quando se exige o controle interno ou de portal de transpar&ecirc;ncia. Eu sei que &eacute; necess&aacute;rio, mas o que acontece &eacute; o seguinte: voc&ecirc; n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es no interior de um bom funcionamento da internet. O portal de transpar&ecirc;ncia vai servir para o TCE, agora, para aquele contribuinte do interior&nbsp;n&atilde;o vai servir porque ele n&atilde;o tem acesso e nem sabe mexer na internet. Penso que os gestores devem procurar fazer o melhor, seguindo a lei.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>DECOM &#8211; O que espera para o futuro do TCE?<\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<strong>RM<\/strong> &#8211; Eu espero, sinceramente, que haja uma continuidade na moderniza&ccedil;&atilde;o j&aacute; existente. Na verdade, eu fiz uma avalia&ccedil;&atilde;o em 1996, quando implantaram o Fundef, em que eu participei em algumas reuni&otilde;es em Bras&iacute;lia e S&atilde;o Paulo, quando criaram a lei de responsabilidade fiscal. Eu cheguei &agrave; conclus&atilde;o de que o governo federal n&atilde;o conhecia os TCEs, a impress&atilde;o que eu tive &eacute; que eles entendiam que nos TCEs s&oacute; existiam pessoas sem conhecimento, tanto que em 2002, eles criaram o Promoex, pra modernizar mais os tribunais. Ent&atilde;o &eacute; isso que eu espero, que haja essa continuidade.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n\t________________________________<br \/>\n\tPor Elvis Chaves\/ Fotos: Socorro Lins\n<\/p>\n<p>\n\tLeia mais:<br \/>\n\t<a href=\"http:\/\/www.tceam.tc.br\/?p=11106\">Entrevista Conselheira Yara Lins<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista concedida ao Decom em setembro de 2014 Segundo de 16 irm&atilde;os, o conselheiro Raimundo Jos&eacute; Michiles, 69 anos,&mdash; ou apenas &ldquo;Bigota&rdquo; para os maueenses &mdash;&nbsp;ingressou no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas em 1977, por concurso, para o cargo de auditor do TCE. Formado em contabilidade e direito, Michiles foi nomeado para compor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":11170,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11160","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11160\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11170"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tceam.tc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}